Algo sobre as mulheres

Há as que se enervarão com este comentário. Mas é como dizem: se faz bufar, tem razão.

Há algo que as mulheres não aceitam: coisas que não respondem. Se algo não responde, é o fim do mundo, é o começo do caos, é a pílula da histeria, dos assomos temperamentais, a desculpa para todas as TPMs do mundo.

Se o que não responde é um homem, o fato nos deixa frustradas, porque temos ânsia por detalhes, e se eles não nos são fornecidos, é porque certamente estamos sendo privadas de algo, um algo que pode ter um vasto universo de importância. De modo que estamos sempre insatisfeitas e infelizes: ou ele não responde porque não quer, ou não responde porque não pode, ou não responde porque não percebeu que precisava responder algo, pois não perguntamos, já que obviamente ser enxerida de forma explícita é a última coisa que desejamos. Estar à margem dos mais íntimos recônditos da alma dele, mesmo aqueles que nem ele conhece direito, é inaceitável, imperdoável. Quase um assassinato.

Se o que não responde é uma máquina, o fato nos afeta duplamente, porque além da mera não resposta, está também envolvida aquela subliminar mensagem da incompetência ligada ao sexo, essa famigerada sombra que o sufragismo nos deixou, esse temor constante de que retornaremos àquilo que, dizem umas, jamais saímos, a subvalorização do nosso cérebro feminil. Particularmente a este tópico, penso é que saímos da ditadura dos homens para cair na ditadura das mulheres.

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