Sobre Autores & Escolas

As palavras não são minhas.

Amigos, esse negócio de ida a escolas é mesmo complicado… E a grande verdade é que nós, autores, não somos considerados como profissionais. Existe alguém que vá a um dentista, fique lá sendo atendido durante uma hora e saia sem pagar? E mesmo que fique muito menos tempo, a hora do profissional é paga do mesmo jeito. Bom, há uns bons anos eu “acordei” para essa realidade, quando um colégio grande daqui de Belo Horizonte, que tem várias unidades espalhadas pela cidade, deixou de adotar um livro meu. Por que? Porque eles queriam que eu fizesse umas dez oficinas nessas unidades todas, sem me pagar um tostão por isso. Alegação? A grande venda que estava sendo feita compensaria tudo. E o fato é que a divulgadora da editora tinha oferecido o meu trabalho em troca da adoção! A partir daí, adotei a seguinte norma: se for só para bater um papo com as crianças, ainda que sejam várias turmas (e contanto que eu não tenha que passar o dia na escola), eu não cobro nada. Mas qualquer coisa além disso, que exija uma preparação minha e ocupe boa parte do meu tempo, tem que ser remunerada sim. A menos, é claro, que a escola faça uma compra tal que o meu percentual equivalha a essa remuneração. Afinal, o escritor escreve, o ilustrador ilustra – estas são as suas atividades primeiras. Dar oficinas, cantar, dançar, plantar bananeira para “complementar” a divulgação de seu trabalho já é outra história.
Acho que devemos fincar pé mesmo ou nunca seremos devidamente valorizados.

Angela Leite de Souza
http://www.caleidoscopio.art.br/angelaleite

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