A união faz a força

Pensei que ao menos poderia ter levado um livro comigo, caso soubesse que a 82 simplesmente não me deixaria dar aula.
O melhor dos motins: a indiferença.
Não adiantou falar, não adiantou gritar, não adiantou escrever no quadro, não adiantou nada.
Cheguei a sair da sala para dar um rolê – e notaram?
Duvido.
Chegou uma hora em que percebi que eu era a minoria, a parte fraca. Sentei, guardei o material e fiquei lamentando não ter um livro para me distrair da vontade de chorar.
Até que uma aluna – Mabele*, abençoada garota – sentou-se à minha frente com um sorriso sondador (imagino que tenha ficado com dó de mim) e disse:
- Vim incomodar a professora.
Passamos o restante da aula (eram dois tempos) conversando sobre assuntos banais: ela me fez rir e eu a fiz rir.
Certamente há um lugarzinho só para ela no Lar dos Benquistos.

*fictício

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