Achei muito descuidada uma reportagem da Revista Galileu do mês de outubro. Sob o título “A queda das certezas” – uma chamada que me atraiu rapidamente para a compra da mesma -, a reportagem discorria sobre onze aspectos que põem em cheque algumas das nossas convicções. A oitava é: Árvores poluem e aquecem o planeta.
Até aí, ok, eu já sabia disso. O problema é o modo como eles jogam a afirmação como se fosse qualquer tipo de árvore, ou, pior, todas elas. Ainda dão a entender que desmatar é apenas um “ato impopular”, e que o ideal é deixar as árvores “morrer e ser substituídas por espécies menos poluidoras, como pinheiros e acácias”.
Quem disse isso? Um tal biólogo Mark Potosnak. Provavelmente o cidadão vive em regiões temperadas, onde Pinheiros e Acácias são espécies nativas. Dar essa informação no Brasil, onde já se tem o hábito infeliz de se tirar espécies nativas para pôr no lugar palmeiras e eucaliptos, a la Niemeyer – tão badalado velhinho, que ama detonar toda a vetegetação em torno de suas “obras de arte” faraônicas a fim de não “competir” com os monolitos brilhantes e sem sentido arquitetônico – é pedir para acelerar a destruição das matas densas e úmidas, e ainda dar desculpas às oligarquias madeireiras.
E mais: a árvore não é sozinha. Todo mundo sempre parece se esquecer de que nela e dela vivem centenas de outras espécies, que vão desde outras plantas a animais vertebrados. Dando cabo numa, alimenta-se uma rede de destruição.
Fico pasma que uma revista que se pretende de divulgação científica dê uma informação tão descontextualizada e fragmentada assim.
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