Encruzilhada

Chega um ponto na vida em que a gente precisa tomar decisões. Tá, nenhuma novidade nisso.
A questão, no fim, é posta de um jeito um bocado simplista. O caminho tá lotado desses pontos, e cada um deles mostra uma penca de opções, e a gente fica neurótico tentando vislumbrar qual a melhor.

Por exemplo: estou dando aulas, certo? Anda sendo um saco, porque parece esforço gasto à tôa. Não acho, pelo menos, que três, quatro alunos prestando atenção, contra vinte e tantos arruaçando, seja sinônimo de sucesso. Enfim, enquanto estou dando aulas, gastando mó tempão preparando assunto, organizando, corrigindo, gritando e me lamentando, não tenho muito tempo para me dedicar, por exemplo, ao concurso para a Universidade Federal da Fronteira do Sul, cuja prova é neste final de semana e para a qual nada estudei (e que daria um gordo aumento no meu salário como professora universitária), nem trabalhando nos meus livros, nem na minha empresa de correção de textos, nem como acessora de artigos acadêmicos – nem como nada que de fato me importa e interessa, mas que mal me traz dinheiro.

Não que a docência traga muito. Mas pelo menos é o pingado do mês.

Dá vontade de dizer “tchau, galera” na escola – em pleno final de ano, pré-entrega das notas, uau, ia ser um escândalo – e mergulhar nas coisas que me fazem bem, embora não forrem minha conta.

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