Recentemente a Secretaria de Estado da Educação, do Governo de Santa Catarina, lançou o projeto Planeta Leitura – Ziraldo e seus amigos, originalmente um projeto da Ed. Melhoramentos, de São Paulo. O acolhimento sem aparentes restrições gerou descontentamento entre os escritores catarinenses, em parte por não ter havido debate com especialistas locais de Literatura Infantil e Juvenil, em parte por não terem sequer cogitado a possibilidade de levar as obras de autores catarinenses às salas de aula, expondo assim a óbvia invisibilidade dos mesmos perante às Instituições e à Sociedade catarinenses.
Trago para debate algumas colocações de colegas escritores e/ou estudiosos da literatura catarinenses, na esperança de que algo comece a ser feito para que o trabalho literário local seja visto pela sociedade local, pelo menos como um primeiro passo.
Como consta do site oficial da Secretaria de Estado da Educação, o projeto “Planeta Leitura” compreende a distribuição, nas escolas estaduais, de uma coleção intitulada “Ziraldo e seus amigos”, a qual, segundo o Prof. Dr. Isaac Ferreira (SED/DIEB), reiterando literalmente as palavras do diretor comercial da Ed. Melhoramentos, Manildo Ruiz Cavalcante, “foi desenvolvida para estudantes do Ensino Fundamental (1ª a 9ª séries). Ela está dividida em nove maletas, as quais contêm doze títulos para cada seguimento. Sua publicação é de responsabilidade da Ed. Melhoramentos, sendo seus autores, como o próprio título sugere, Ziraldo e alguns de seus amigos: Ruth Rocha, Ana Maria Machado, entre outros.”
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Acolher um projeto de tal porte suscita pelo menos alguns questionamentos: por que a nossa Secretaria de Estado da Educação optou apenas por livros da Ed. Melhoramentos? São os melhores livros oferecidos pelo mercado? Ou, ao contrário, nesse caso, a literatura tornou-se subserviente à indústria cultural?
Dirce Waltrick do Amarante professora de Literatura Infanto-Juvenil na UFSC, co-editora do site de arte e cultura Centopéia, e tradutora, no texto “Planeta Leitura” e a crise do ensino da literatura.
Aqui em SC não há uma interlocução assídua dos escritores com as escolas. Pelo menos noto que não saltam aos olhos os chamados para os autores fazerem palestras, encontros, debates sobre as suas obras. Não chamaram ninguém do Estado pra conversar [sobre o Projeto Leitura], sendo que temos aqui especialistas em LIJ do melhor quilate. Sem contar que os escritores, para a SED, são invisíveis. Como nos tornarmos visíveis, então?
Eloí Elisabete Bocheco escritora, formada em Letras pela Universidade de Passo Fundo/RS e pós-graduada em Alfabetização.
As políticas públicas culturais não têm continuidade, não exigem de seus executores a necessária valorização em relação ao que é produzido em SC;
Não há pesquisa sobre esta produção, e não são considerados aqueles que produzem cultura no Estado;
Somos convidados por professores interessados na promoção da literatura/leitura, que são uma minoria;
Não temos livrarias catarinenses e as que possuímos não compram livros e não exibem livros de autores catarinenses. Apenas se a matriz, geralmente fora daqui autorizar; ou se o autor for editado por editoras com distribuição nacional;
Temos como exemplo a escritora Eloí Elisabete Bocheco, uma das escritoras catarinenses mais premiadas recentemente, que nem foi incluída no programa Planeta Leitura da SE (leia-se ED. Melhoramentos) nos pacotes distribuídos pela SE nas escolas Estaduais.
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Acredito que para sermos considerados precisamos de união. Precisamos fortalecer uma associação que a maioria desconhece.
Yedda Goulart escritora, coordenadora da AEILIJ-SC, licenciada em Letras pela Faculdade de Pedagogia, Ciências e Letras da Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC), habilitada em Inglês, Português e Literatura Brasileira.
(Luana von Linsingen)
Boa noite. Eu encontrei o seu blog na net e achei muito interessante este artigo. Estou fazendo um projeto de estudo aqui na Univille (Joinville) para avaliar como o ensino da Literatura catarinense se dá na sala de aula do Ensino Médio. Você tem alguma bibliografia para indicar?
Obrigada,
Stella Bousfield.
Poderia dizer que é uma questão cultural, mas também sabemos que temos de parar de culpar a cultura a falta dela ou seus signos. É triste pensar que governantes do nosso estado subjugue de tal forma os escritores catarinense e seu povo literário
Lamentavel
Tonni Lima – Presidente da Oficial Academia Tijuquense de Letras