Category Archives: Poemas

lirismos ocasionais, bem ocasionais

Amadurecer

O que antes era luminoso e sempre correto/ Em algum momento transformou-se em dúvida constante.

guardanapo de bar

Sem ti sou caneta sem tinta
guardanapo de bar.

te observar é meu deleite particular

Mais um soneto romântico.

balada de um amor verdadeiro

Lábios cerrados e descrentes,
eram os meus, até conhecerem os teus.

Calvário

Calado o
calvo
calcou de
cal e
cálculo a
calma
calçada
calcificada.
(perturbou meu sono em dezembro de 2008)

Apaixonada Redundância

És o amor mais amado
Que alguém jamais amou
E nunca poderá amar.
Meus olhos te olham nos olhos
E vêem olhos que olham
Além do olhar alheio.
Minhas mãos que te manuseiam
Anseiam pelas mãos que em mim vicejam
Sensações além do sensato.
Meus lábios lamuriam
Na lábia que teus lábios
Sorvem da mentalidade derretida
No meu cérebro derrotado.
Os beijos que beijam
Arquejam promessas e textos
Deixando meu

Cantiga para um amor que acorda

Cedo julguei que não existias
Cética, e ao mesmo tempo maravilhada
Olhava casais e me admirava
Como podiam? Como sorriam?
Como, tão fácil, se iludiam?
Amor, discursava eu, em teima,
é uma palavra cheia de sentido
e vazia de veracidade.
Não existe efetivamente; se constrói
… constrói-se no significado da emoção
e não na emoção em si.
É um adorno humano,
uma desculpa cultural
para a procriação e

Amar-te-me

Olhos hão de encontrar outros olhos.
Percorrerão então os contornos do outro.
As pupilas, as íris, as formas;
Partirão às pálpebras, às sobrancelhas
- e às olhadelas de esguelha.
Dos olhos partirão aos cabelos.
Neste caem aos olhos
Nesta caem aos ombros
Em ambos caem divinamente
Ambos encantam a ambos.
Mãos hão de encontrar outras mãos.
Sentirão então as energias do outro.
As pregas, as linhas, as

Ânsia

A vida se desenrola
nestes minutos.
Cada batida é letal
Cada estalada é fatal.
O relógio da sala é o espelho
dos batimentos cardíacos.
Os olhos se abrem mais,
as narinas se dilatam,
a saliva, que deve descer, não desce.
As mãos suam
E sentem frio.
Os dedos tamborilam
uma eterna canção
desritmada.
O coração parece
uma máquina
desregulada.
A respiração é desacertada,
o pensamento é acelerado.
São asas de expectativas
pesadas pela chuva do

Escritora Maluca

Eu sou uma escritora maluca, sim!
E que escritora não é?
Pois se a escritora não é maluca,
Boa escritora não é.
Não, não digo que a escritora que não é
maluca
Não possa, um dia, chegar lá
Lá no auge da maluquice
e ser uma escritora verdadeiramente
maluca
Pois se a escritora não é maluca,
De onde virão suas idéias geniais,
com condes, dráculas, garotas quaisquer
ou